terça-feira, 19 de janeiro de 2021

COMO TER UMA MOEDA VALORIZADA

 

COMO TER UMA MOEDA  VALORIZADA

 

            Um dos maiores problemas na economia de um país, principalmente aqueles que ainda estão em estágios de subdesenvolvimentos é lidar com a inflação de preços e desvalorização da moeda. Esses dois fatores são indicativos de fragilidade e instabilidade econômica. Muitos países da África e principalmente da América Latina não conseguem manter uma política de valorização da moeda. Em um mundo que adotou como modus de produção o modus capitalista, o valor da moeda é de fundamental importância para o crescimento da economia.

             Nas relações comerciais a moeda tornou-se o produto padrão de troca. Antes da introdução da moeda nas relações comerciais havia a economia de troca chamada também de economia de escambo. As pessoas trocavam um produto por outro. Um produtor que produzia arroz, por exemplo, e não produzia feijão, iria guardar uma certa quantidade do arroz produzido para o seu consumo e o excedente de sua produção iria trocar por outros produtos, que não produzia e tinha necessidade de adquiri-los. Assim iria trocar uma  certa quantidade do seu excedente de arroz por um certa quantidade de feijão, outra por uma certa quantidade de batatas, outra por tecidos e etc. Necessitava porém encontrar as pessoas que tinham disponíveis os produtos que ele pretendia adquirir e ainda combinar isso com o interesse dessas pessoas em adquirir o produto que ele tinha para troca. A moeda veio então para resolver de uma vez por todas esse problema facilitando essas relações.

            Com uma moeda que é aceita e pode ser trocada por qualquer produto o produtor vende o excedente de sua produção pegando moedas em troca e com elas facilmente adquire os produtos de que precisa. Essa introdução da moeda primeiramente se dá pelo uso do metal adotando certas quantidades de gramas em barras. Os metais utilizados foram prata, ouro e bronze, passando a ser substituídos depois o peso em grama por valor convencional impresso no metal. A prata que chegou a ter o grama mais valorizado que o ouro, por ser mais escassa, passou a ser mais abundante com as descobertas de grandes minas na América Latina nas épocas das colonizações, desvalorizando em relação ao ouro mas se firmando para o uso na representação do valor convencional impresso, valor esse que era rastreado por valores depositados em ouro nos bancos. Rapidamente já se passou para a utilização do papel, que como moeda representativa de um valor, possui um custo menor para os bancos que o emitem. A moeda foi adotada nas relações de trocas como um produto capaz de simplificar as trocas.

            Para entender como uma moeda é valorizada, é preciso entender como os produtos a que ela substitui, (e nas relações de trocas ela pode substituir qualquer produto) são valorizados. É preciso entender dois conceitos; o conceito do valor pela teoria da utilidade e o conceito de valor pela teoria de oferta e demanda. O conceito de valor pela teoria da utilidade basicamente se dá pelo valor de utilização do bem para satisfação de desejos e necessidades, dependendo portanto do grau desse desejo ou necessidade e da abundancia ou escassez do produto que se deseja. É o valor de uso que o produto tem para as pessoas, que aqui é diferente de preço. O conceito de valor pela teoria da utilidade é diferente do conceito de valor pela teoria de oferta e demanda. Para um maior aprofundamento da teoria da utilidade é recomendado ler a Teoria da Economia Política de Jevons.  Na teoria da oferta e demanda é tratada o valor do produto em termos de preço que pode variar em decorrência da oferta e demanda. Diferente da teoria da utilidade, não se trata aqui de analisar o grau de satisfação de necessidades pelo uso de um produto, mas unicamente quantidade de pessoas que procuram pelo produto e quantidade do produto em oferta. Se a quantidade ofertada ou produzida é menor que a quantidade procurada ou desejada para compra, o ajuste se dá pelo aumento do preço. Aumentando o preço, diminui-se a disposição de comprar uma quantidade maior chegando-se a um ponto de equilíbrio onde a quantidade que é produzida pelo produtor é igual a quantidade que o comprador está disposto a comprar. Quando a quantidade ofertada no mercado é maior que a quantidade procurada, o produtor baixa o preço do produto gerando uma disposição do comprador em comprar uma quantidade maior até igualar quantidade ofertada e quantidade procurada.  O preço nesse ponto é o preço de equilíbrio entre a oferta e a demanda. Qualquer variação na oferta ou na demanda irá consequentemente gerar uma variação no preço.

            O preço de uma moeda se dá pela mesma forma que se dá o preço de qualquer produto. A moeda como um produto está sujeita as mesmas leis que regem  a oferta e a demanda. O que é o valor de uma moeda? O valor de uma moeda é a quantidade de unidades dessa moeda (moeda de um pais) que é comprada por cada unidade de moeda de outro pais. Se podemos comprar um dólar com um real, logo o valor de um dólar é o mesmo valor de um real. Se em determinados tempos essa relação de valor muda, é porque houve alterações na oferta e demanda dessas moedas. Uma das ferramentas para um governo controlar a política cambial é a compra e venda da moeda que ele quer controlar o valor. Assim o governo brasileiro por exemplo pode realizar compra de dólar tirando-o de circulação e diminuindo sua oferta no mercado interno quando considerar que o valor do dólar está baixo e poderá prejudicar a economia brasileira. Essa interferência fará subir o valor do dólar. Quando considerar o valor elevado em relação ao real, poderá vender parte de suas reservas em dólar colocando uma quantidade maior em circulação, gerando maior oferta da moeda, o que pode fazer baixar o seu valor. Pode também realizar políticas com a circulação da moeda nacional, imprimindo mais moeda para gerar uma oferta maior e baixar o valor da moeda nacional ou recolhendo partes do volume em circulação para diminuir a oferta e fazer elevar o valor. Essas no entanto são políticas intervencionistas de controle cambial, mas que não garantem estabilidade de valores. Às vezes um pais vende todas as suas reservas em dólar e não consegue estancar a depreciação da moeda nacional. Qual seria então a grande sacada para um pais manter sua moeda forte mantendo um valor de paridade de compra equilibrado no mercado nacional e internacional? Tratar as relações internacionais da mesma forma que são tratadas em países de moedas fortes.

            Por que o dólar foi uma das moedas mais forte e estável? Porque nas relações internacionais eles criaram uma forte demanda por dólar exigindo tanto nas vendas como nas compras o pagamento em dólar. De certa forma todos os países que tem relações comerciais com os EUA precisam comprar dólar para realizar os pagamentos, tanto que ultimamente vem sofrendo uma grande desvalorização na Europa devido a mudanças de acordos entre Rússia e China que deixam de adotar o dólar no pagamento de suas relações comerciais representando uma grande queda na demanda forçando a desvalorização do dólar.

            A criação do mercado comum europeu e dotação de uma moeda própria, o Euro, garantiu estabilidade para essa moeda em um valor acima do dólar, porque a moeda foi adotada por um bloco de países de economias desenvolvidas. Ter o dólar como padrão global nas relações internacionais só beneficia a economia americana e parece que esse fato já foi percebido por muitos países nas relações internacionais. É preciso discutir o papel da moeda de cada país e firmar acordos internacionais de garantias e aceitação nas relações comerciais para que todos os países tenham uma estabilidade maior no valor de suas moedas.

domingo, 5 de abril de 2015

UMA PARÁBOLA PARA ENTENDER PRIVATIZAÇÃO

  As opiniões se dividem tanto no meio político como no econômico, por especialistas em política, em economia e por leigos. As diferenças de opiniões são causadas por conhecimentos, interesses e conceitos sociais de usos de bens público. Existem muitas matérias publicadas sobre o assunto com forte defesa por neo-liberais que defendem um Estado mínimo e críticas por socialistas que defendem maior participação do Estado. O ponto de vista da parábola que conto a seguir baseia-se no conceito de bem público.

  Trata-se de duas comunidades em que uma possui um rio que passa pelo meio da aldeia e uma outra comunidade que não possui água para abastecer a aldeia. Ocorreu que um indivíduo daquela aldeia que possuía o rio teve a ideia de canalizar a água e vender para àquela aldeia que não possuía esse recurso tão essencial e fez isso com vantagens para si mesmo, pois não dividiu o lucro com o restante da aldeia que também passou a ficar com restrição sobre o uso daquele recurso, em virtude de uma grande quantidade passar a ser fornecida para a outra aldeia.

  O que ocorreu na aldeia foi uma privatização de um recurso natural que pertencia a toda comunidade, cabe a pergunta portanto se o que aquele indivíduo fez foi justo. Ele se apropriou de um bem que era de uso comum em proveito próprio, sem dividir os lucros. Isso foi interessante para ele, que obteve vantagem e para a outra comunidade que passou a receber o fornecimento do bem. A comunidade que possuía o recurso não obteve nenhuma vantagem, pelo contrário sofreu restrições em seu uso. O que seria correto então?! A comunidade entrar em um acordo comum para uma gestão do recurso de forma que garanta uma sustentabilidade do fornecimento interno e os lucros com a comercialização do excedente possa ser revertidos em prol de toda a comunidade, o que seria uma empresa pública. Essa é a questão que precisa ser discutida com relação em privatizar empresas públicas. A consideração de que o bem pertence a todos, deve ser explorados por todos e não em proveito de um indivíduo.